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quinta-feira, 18 de março de 2010

A efemeridade da vida


A vida esvai-se e ela corre como que para não deixa-la ir embora. Engraçado como só nessas horas tem-se a verdadeira noção de como a vida é valiosa. Cada cheiro, cada cor, cada pormenor é admirado como uma jóia rara. E ela pensa que triste seria deixar tudo isso sem ao menos ter a chance de escolha. Ela acredita que há além desse mundo, outros mundos até melhores, mas gosta até das agruras que vive por aqui. Por isso hoje chora, pede aos céus uma nova chance de viver.
Ainda não entende o porquê de seu algoz querer sua morte, pois tem consciência que se o feriu não foi por querer. Pede-lhe perdão mesmo em silencio. Suplica-lhe que o deixe viver. Luta com todas as forças para sorver a água da vida.
Mas a noite, o espírito entra em luta e o corpo começa a padecer. Ela se atemoriza, é a vida querendo ir embora. Então ela ora a Deus que lhe ajude e sente seu coração abrandar. É a fé que a mantêm em pé, ela pensa e agradece por mais uma chance de ver a luz do sol.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pedaço de mim-Chico Buarque

Sem palavras para essa letra ...


Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus